Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Sustos em férias...

 

                 

 

      Se há momentos (bons momentos) destas férias que ficarão registados na minha memória por muito tempo, um deles (nada agradável por sinal!) dificilmente será esquecido por mim enquanto a consciência me acompanhar...

      "Perdemos", "perdeu-se", "perdeu-nos" o Duarte... por vinte longos, longuíssimos minutos... Ainda agora me arrepio ao recordar o momento! A sensação é indescritível, a impotência, o desnorte toma-nos conta da razão... e os relatos que vamos ouvindo, que nos chegam através da comunicação social só agravam o desespero do momento!

 

      Segundo dia de férias... decidimos tomar café junto ao porto de abrigo, a cerca de 500 mts da casa onde ficámos... Na volta parámos junto a um circo que exibia os seus animais a quem os quisesse ver e observámos o carrossel que girava mais à frente... O Duarte quis experimentar, como sempre, mas dessa vez não permitimos e continuámos a caminhar em direcção a casa... Parámos mais uma vez, para entrar numa lojinha quando, numa questão de segundos, deixámos de ver o Duarte... Ao início achámos que estaria ali ao lado, que teria entrado na loja à nossa frente, mas depressa verificámos que não estava em lado nenhum... Começámos a chamá-lo, a entrar em todas as lojas ali situadas, a perguntar às pessoas se tinham visto uma criança... Do outro lado da estrada, a praia. Pensei que talvez se lembrasse de atravessar a estrada e ir brincar para a praia, corremos para lá, chamámos, andámos por ali pela praia, algumas pessoa juntaram-se e procuraram ajudar... Tentámos raciocinar (eu já nem me conseguia lembrar de que cor estava vestido para informar as pessoas que queriam ajudar!)... Voltámos atrás, quem sabe não teria ido para junto do circo ou do carrossel... nada! Voltámos à lojinha... a senhora, vendo-nos tão aflitos, chamou a polícia... o Nuno chorava!! Pela minha cabeça passavam todo o tipo de pensamentos: Levaram-no? Não podia ser, ele gritaria a plenos pulmões, estávamos na rua, alguém teria visto... Afastou-se pelo próprio pé? Então porque ninguém tinha visto uma criança sozinha nas redondezas?

      Num momento de lucidez, pedi ao meu marido para continuar a procurar por ali, ao Nuno para ficar com a senhora da loja e pus-me ao caminho em direcção a casa, quem sabe teria decidido regressar sozinho!

      Que caminhada dolorosa, a minha cabeça já fazia todo o tipo de filmes, a minha esperança ia-a depositando em Deus... Chegada ao prédio verifiquei que a porta estava fechada (algumas vezes está aberta) e, não sei bem explicar porquê decidi avançar um pouco mais antes de subir ao segundo andar... Foi aí que o avistei, a mais de 500 mts do local onde o perdemos, a chorar, sozinho, caminhando na direcção oposta à que nos encontrávamos! Agarrei-o, abracei-o forte e deixei extravasar todas as lágrimas que andavam aqui às voltas há algum tempo!! Telefonei ao meu marido que ficou mais um pouco no local à espera da polícia que demoraria mais uns bons 15 minutos...

      O Duarte só dizia: "vocês pederam-me!!!", "eu toquei à campainha lá em casa e vocês não abiram a porta!!"

 

      Em jeito de conclusão, que o relato já vai longo, tenho que admitir que o Duarte tem um bom sentido de orientação, voltou a casa, ao prédio, ao segundo andar, à porta exacta de sete, atravessando cerca de seis ruas com trânsito, pelo meio de uma multidão que por ali passeava naquele sábado... Só me custa verificar que nestes 500 mts ninguém tenha reparado numa criança sozinha a chorar... Ou deverei concluir que ele vinha tão determinado em chegar a casa que não chorou no trajecto até ao apartamento? Não consegui que me explicasse este aspecto...

      Felizmente esta história acabou bem... Não desejo tal sofrimento a nenhuma mãe!!

 

publicado por Cris às 23:47
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23 comentários:
De green.eyes a 26 de Agosto de 2009 às 09:58
Ai amiga que susto ............
Fico a imaginar o que lhe deve ter passado pela cabeça naquela altura. Devem ter sido uns minutos terriveis não só para vós (pais e irmão), MAS TAMBÉM PARA ELE.
Felismente tudo acabou bem (graças a Deus) mas os susto vai ficar guardado nas vossas memorias por algum tempo.
Pelo memos ficamos a saber que o Duarte não só tem sentido de orientação como tentou chegar a casa, e só estava no local a 2 dias.
Beijinhos
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:36
Foi um momento que espero não repetir!!

A casa não lhe é desconhecida... costumamos passar lá alguns fins de semana, mas nunca tinha feito este trajecto a pé, muito menos sozinho...

Beijinhos
De mamaepedro a 26 de Agosto de 2009 às 10:18
Ao ler isto senti-me tanto na tua pele que até uma lagrimita queria saltar, apesar de nunca me ter acontecido isto, acredito que deve ser uma sensação horrivel, uma vez numa loja ele escondeu-se ecomo sempre nunca responde quando o chamamos e já foi horrivel, a vossa dor nem quero imaginar, fogo. Mas felizmente acabou tudo em bem e ele foi mesmo muito corajoso, estou admirada como ele soube ir direito á casa.

Beijinhos
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:38
É mesmo uma sensação horrivel!!
Felizmente acabou bem!!
Eles pregam-nos cada susto!!

Beijinhos
De DH a 26 de Agosto de 2009 às 11:34
Eu sei o que é... Também passei por um episódio muito semelhante com a minha filha mais velha, e para superar ou igualar esse, só tive mais outro, em que o meu filho mais novo desmaiou em paragem cardio-respiratória. Ser mãe é trazer o coração fora do peito.
Agradece, agradece e agradece... Tens o Duarte contigo.
Bj
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:39
Olá Dulce
Ser mãe é, realmente, sinónimo de preocupações!!

Agradeço sim... muito! Alguém lá em cima guiou os meus passos... tenho a certeza!!

Beijinhos
De Tita a 26 de Agosto de 2009 às 12:41
:( Experimentei por 1/2 minutos e é uma dor sem igual, eu queria gritar pelo nome da minha filha, numa noite de festa, num arraial cheio de gente e não a encontrava.
Queria gritar e a minha voz não saia.
É horrível mesmo!
20 minutos nem consigo imaginar, 20 minutos de sofrimento…
Bjs grandes no Duarte e em ti.
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:42
Olá Tita
É uma dor inqualificável... vieram-me à memória todas aquelas mães que nunca mais voltaram a ver os filhos...
O meu anjinho da guarda não me faltou!! Agradeço mesmo... muito!!

Beijinhos
De Tita a 26 de Agosto de 2009 às 12:43
A minha tem 18 meses .
Agradece sempre!
De MissAna a 26 de Agosto de 2009 às 12:47
Só de ler o teu relato fiquei com o coração apertado... Nem quero imaginar a sensação que deve ser.. Mas felizmente tudo correu bem! :)
Beijinho grande
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:43
Felizmente acabou bem!
Espero não experimentar outra aventura destas!!

Beijinhos
De Carla a 26 de Agosto de 2009 às 12:59
Nem imagino o susto...
Um abraço apertadinho.

Bjs
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:44
Obrigada Carla!

Um grande susto sem dúvida!

Beijinhos
De Ginebra a 26 de Agosto de 2009 às 14:46
Depois de ler o teu post, recuei uns 12 anos no tempo, a uma praia onde me aconteceu exactamente o mesmo com o meu filho. Depois de o procurarmos por todo o lado fomos encontrá-lo sentado à porta do prédio onde se situava o andar que tinhamos alugado . Durante muito tempo andámos estupefactos, pois da esplanada a casa tinha-se de atravessar uma rua bastante movimentada e contornar uma praceta até lá chegar. Felizmente, nalguns casos, os filhos têm o bom senso que nos falta, muitas vezes a nós adultos, e a ideia de casa enquanto porto seguro estende-se para além da casa propriamente dita, porque se confunde com uma outra bem maior, a de família. Tudo está bem quando acaba bem. Demos graças.
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:48
Ele achava que, se não estávamos em lado nenhum estariamos em casa à espera dele... A desilusão deu-se, sobretudo, porque não lhe abrimos a porta!

Agradeço muito à "mão" que me guiou ao local onde ele se encontrava!!

Beijinho
De pingodemel a 26 de Agosto de 2009 às 15:20
olá

...mas que susto...imagino !!!

ainda bem que tudo acabou bem ..

beijinhos
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:49
Felizmente tudo acabou bem...
Mas não, não estou pronta para outra!!!!

Beijinhos
De cuidandodemim a 26 de Agosto de 2009 às 21:30
Felizmente tens um filho esperto e inteligente, conseguiu ir até lá sozinho sem se perder. Acho que é sempre bom os pais avisarem os filhos acerca do que devem fazer se se perderem. Porque estas coisas, infelizmente, acontecem frequentemente. Ainda bem que tudo acabou bem.
bjns
De Cris a 26 de Agosto de 2009 às 23:52
Sabes, às vezes achamos que não é possível uma mãe perder um filho de vista numa questão de segundos... mas é bem possível, eles são tão imprevisíveis!!!

Passámos o resto da tarde fechados em casa, abraçados... aquela necessidade de sentir que estamos mesmo ali, juntinhos!!

Beijinhos

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