Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Espírito de contradição...

   

 

      ... se dizes A, tem de ser B...

      ... se for para sentar, ela quer saltar...

      ... se achas que é preto, ela vai teimar que é branco...

      ... se dizes não, ela vai experimentar todas as formas possíveis de o tornar um sim...

 

      Muitos de vós devem reconhecer algumas crianças nesta pequena descrição. É a fase do não, do contra, o espírito de contradição por que muitas crianças passam na sua mais tenra meninice - o Duarte está nesta fase e consegue, por vezes, deixar-me esgotada!

      Mas isto é apenas uma pequena amostra, uma pontinha do iceberg de uma criança que sofre de Perturbação de Oposição e Desafio... Imaginem o que é prolongar-se aquela fase do contra, com um efeito algumas vezes superior, durante toda a infância, juventude e até na fase adulta!!! E se esta síndrome estiver associada à Perturbação de Hiperactividade, parafraseando Nuno Lobo Antunes, "mais valerá só que em tal companhia"!

 

      Este ano tenho um aluno com estas características - exactamente o menino do post anterior!! Não é fácil lidar com uma criança assim, uma criança que se zanga facilmente, que é agressiva, mente, diz palavrões, é incorrecta com quem se aproxima, culpa tudo e todos pelos seus erros... Frequenta o 6º ano mas não sabe ler nem escrever, a matemática não lhe diz nada, não se esforça, não se empenha, nunca lhe apetece fazer o que quer que se lhe peça, não se interessa por nada, amua facilmente, recusa-se até à exaustão (gritando e sendo agressivo) a realizar qualquer tarefa... Não adianta chamá-lo à razão, explicar-lhe porque deve esforçar-se, ou lembrar-lhe que num futuro próximo a vida lhe vai exigir saber aquilo que ele se recusa agora a aprender... essa é também uma das características destas crianças!

 

      Uma parte dos meus dias é passada com este rapaz... insisto, procuro pacientemente proporcionar-lhe algumas bases para uma vida o mais natural possível, mas considero que ele necessita de um acompanhamento psicológico que, dadas as dificuldades da família, seria facultado, de forma gratuita, por intermédio da escola... mas a mãe não autoriza...

     

publicado por Cris às 21:58
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12 comentários:
De mamaepedro a 19 de Janeiro de 2010 às 10:26
Umas mães preocupam-se em demasia, outras são assim... (sem comentários), mas normalmente os miudos hiperactivos não têm uma inteligência acima do normal?

Beijokas e muitaaaaaaaaaaa paciência
De Cris a 19 de Janeiro de 2010 às 18:33
Normalmente sim... mas este tem outras perturbações associadas, nomeadamente esta de oposição e desafio. Ele não aprende também porque não quer!!

Beijinhos
De Sorriso a 19 de Janeiro de 2010 às 11:07
E a mãe não percebe que ele precisa de ajuda? tem medo de reconhecer isso?
Força para ti e ainda mais paciência (que bem precisas)!

Beijinhos
De Cris a 19 de Janeiro de 2010 às 18:35
Eu acho que percebe mas... está a pensar mais nela!

Bjo
De MissAna a 19 de Janeiro de 2010 às 11:25
Tens nas tuas mãos um caso bicudo... E acredito que para ti e para os restantes professores deva ser complicado gerir esse problema pois a mãe é a primeira a não o admitir... E quando assim é torna tudo mais complicado d eresolver pois não se pode ir à raiz do assunto...
Espero que consigas fazer algum milagre à mãe e depois ao filho, que pelo que vejo, bem que precisam de umas gotinhas de luz!
Beijinhos
De Cris a 19 de Janeiro de 2010 às 18:36
Está realmente complicado, mas... ainda não desisti...

Beijinhos
De libel a 19 de Janeiro de 2010 às 12:19
Cris gabo a tua paciência amiga, estes meninos não são pêra doce, precisam ter regras bem definidas e bem compreendidas mas para isso quem os tem a cargo precisa escolher muito bem as fundamentais para não estar constantemente a massacrar a criança com ordens inúteis, que nunca serão cumpridas porque não as consegue cumprir. Caso contrário , a vida é um tormento, quer para os pais, quer para os educadores, neste caso tu, que te esforças para lhe proporcionar as bases essenciais. Este é um processo que tem de ser tratado em conjunto, casa/escola, consoante o grau de dificuldade, repartir tarefas, dar ordens precisas e concisas, não entrar em conflito, falar carinhosamente e tentar não perder a paciência. Só em casos raros se recorre a terapias medicamentosas num trabalho conjunto entre o neuropediatra, o psicólogo, a família e a escola.
Mas aqui ainda temos o problema da mãe que se recusa a participar, não sei que te diga mais, mas penso que a mãe pode muito bem ter passado por essa desconcentração também e não ter sido ajudada nesse sentido, daí estar um pouco desligada e talvez até pensar que com o tempo passará. Tenta conversar com ela e explicar-lhe que muitos desses problemas são genéticos e que precisam ser acompanhados, mas mais importante ainda é a mãe informar-se e ler matéria sobre como lidar com a criança. Se a criança sentir que é compreendida, será mais fácil para ambos.

Beijokas e Boa sorte!!
De Cris a 19 de Janeiro de 2010 às 18:39
Este aluno está medicado mas a toma não é rigorosa e as consequências são mais instabilidade ainda...
A luta continua nos próximos capítulos...

Beijinhos
De cuidandodemim a 21 de Janeiro de 2010 às 14:52
É realmente uma situação muito difícil. Não sou professora, mas lido diariamente com crianças também, no hospital. E sei bem, que se os próprios pais não têm vontade de encontrar uma solução para os problemas dos filhos, a situação torna-se mesmo muito difícil. A solução passaria por tentar convencer a mãe, falando com ela abertamente e tentando explicar-lhe pacientemente o problema do filho... Mas compreendo que não será uma tarefa nada fácil... Teria de haver mais alguém na família que concordasse com o acompanhamento psicológico do menino e que vos desse uma ajuda a tentar convencer a mãe...
Bjns
De Cris a 21 de Janeiro de 2010 às 23:09
Há mães tão atentas, tão presentes que exageram... outras pelo contrário... :S
De Cláudia Rocha a 23 de Janeiro de 2010 às 07:20
Olá Cris

Nunca tinha ouvido falar desse sindroma,realmente não deve ser nada fácil lidar diariamente com uma criança assim e com uma mãe que se recusa a ajudar o filho. Nesses casos que mais poderão fazer?
A escola náo pode interceder para ajudar a criança sem o consentimento dos pais, penso eu. Já tentaram falar com o pai? Pode ser que seja uma pessoa mais aberta.
Bem falar é fácil eu sei...

Beijinhos
De Cris a 23 de Janeiro de 2010 às 19:17
É realmente complicado lidar com uma criança assim! Este ano tenho dois alunos com este síndrome mas a menina é bem mais calma... com paciência e preseverança consigo levá-la a bom porto.

Quanto a ele... estamos a tentar... ainda não desisti!...

Bom fim de semana!
beijinhos

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